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DEVIDO AO HISTÓRICO MANIFESTO NACIONAL DE 17/06/2013
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domingo, 12 de dezembro de 2010

O primeiro efeito diplomático do Wikileaks

Países árabes adotam tom conciliador ao falar sobre o programa nuclear do Irã depois que os telegramas americanos revelaram a disposição de atacar Teerã
CONCILIAÇÃO COM O IRÃ? O presidente dos Emirados Árabes, Khalifa bin Zayed Al Nahyan (2º da esquerda para a direita), conversa com o ministro do Exterior da Arábia Saudita, príncipe Saud Al Faisal durante a conferência da GCC
Desde que o Wikileaks começou a divulgar os telegramas confidenciais da diplomacia dos Estados Unidos, a incrível quantidade de detalhes acerca de episódios importantes da política mundial chamou a atenção de analistas e jornalistas. A falta de grandes novidades capazes de mudar os rumos da política, no entanto, causa certa decepção, mas no Oriente Médio o escândalo conhecido como “cablegate” provocou pelo menos uma mudança visível nas relações entre os países: as nações árabes passaram a tomar ainda mais cuidado na hora de dialogar com o Irã.

A maior prova desta mudança foi dada na terça-feira (7), ao fim da reunião do Conselho de Cooperação para o Golfo (GCC, na sigla em inglês), entidade que reúne Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Em uma concorrida entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes, o xeique Abdullah bin Zayed al-Nahyan, secretário-geral da GCC, fez um discurso conciliatório pedindo uma resolução pacífica “de uma vez por todas” para o impasse a respeito do programa nuclear do Irã. Bin Zayed afirmou que o GCC quer que o Conselho de Segurança da ONU retire as sanções contra o Irã, mas lembrou que o país persa “precisa ajudar a comunidade internacional” e ser "claro sobre suas intenções". Foi a primeira vez que os países árabes adotaram essa postura.

A tentativa de acalmar os ânimos se deu em um momento estratégico. Na semana passada, os telegramas revelaram que Egito, Bahrein e Jordânia incitaram os Estados Unidos a atacar o Irã para impedir a evolução do programa nuclear de Teerã. O governo da Arábia Saudita chegou a pedir para que os americanos “cortassem a cabeça da cobra”. Nesta quarta-feira (8), o jornal The Guardian revelou que, em 2008, quando o grupo radical islâmico Hezbollah sitiou Beirute, a capital do Líbano, a Arábia Saudita novamente cogitou uma ação armada, que incluiria tropas de diversos países árabes e apoio aéreo e naval dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo o telegrama, os governos do Egito e da Jordânia também tinham conhecimento da invasão.


As reações dos Estados árabes, sunitas, ao aumento da influência do Irã, persa e xiita, é um fenômeno conhecido. Ao invadir o Afeganistão e o Iraque e afastar do poder o grupo fundamentalista islâmico Talibã e o ditador Saddam Hussein, os Estados Unidos retiraram do tabuleiro os dois principais adversários sunitas do Irã. Desde então, o Teerã vem expandindo sua influência e fomentando grupos xiitas em diversos países árabes, o que, aos olhos desses países, é uma tentativa de exportar os ameaçadores ideais da Revolução Islâmica de 1979. Ao mesmo tempo, o Irã estaria tentando se infiltrar nos serviços de inteligência dos países árabes e apoiando grupos armados dissidentes na região, como o palestino Hamas e o Hezbollah, que em 2008 chegou perto de tomar o poder no Líbano, fazendo os países árabes, em pânico, cogitarem a invasão.

Diante da exposição inicial das opiniões de diversos líderes árabes sobre seu país, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em um primeiro momento que tudo não passava de "uma conspiração" dos Estados Unidos. A retórica antiamericana, entretanto, deve ser apenas da boca para fora. Resta saber se diante da preocupação dos árabes e de sua disposição de atacar, reveladas pelo Wikileaks, Teerã vai acelerar seu programa nuclear para se tornar hegemônico na região ou vai buscar uma posição conciliatória para não se cercar de inimigos que, não tivessem medo da influência revolucionária xiita, poderiam ajudar o país a se livrar das sanções da ONU e investir seus petrodólares em terras iranianas. É uma escolha que vai definir o futuro do Oriente Médio, para o bem ou para o mal.

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